Um pouco de história

Uma utopia realizada

A Escuela Internacional de Cine y Television de San Antonio de los Baños -também conhecida como a “Escola de Três Mundos”- é um projeto educativo de vanguarda único na historia cultural do até pouco tempo chamado “terceiro mundo”.

A historia da escola surge a partir do Comité de Cineastas da América Latina, aquela geração de artistas que modernizou a expressão cinematográfica continental e que sonhou com uma escola de cinema onde estudantes de diversos países latinos pudessem se encontrar para acrescentar juntos o património do “novo cinema latino-americano”.

Este projeto, que reuniu também as aspirações de cineastas da África e Asia, pode ser materializado graças à generosa colaboração de Cuba e ao apoio decisivo e incondicional do escritor colombiano, Prêmio Nobel de Literatura, Gabriel García Márquez. Cuba ofereceu as instalações e manutenção básica e García Márquez articulou a matriz institucional para viabilizar este projeto cultural de ponta, através da sua Fundação do Novo Cinema Latino-americano.

A Escola Internacional de Cinema e Televisão de San Antonio de los Banos (EICTV) surgiu assim como instituição não-governamental em dezembro de 1986. A EICTV teve como primeiro diretor o cineasta argentino Fernando Birri, e desde o início contou com o apoio logístico do prestigioso Instituto Cubano de Cinema (ICAIC), então presidido pelo cineasta cubano Julio García Espinosa, membro da Fundação e um dos idealizadores da escola junto com García Márquez.

Em seus vinte anos de existência, a Escola de San Antonio de los Baños (localizada a 30 km de Havana, rodeada de laranjais e plantios de cana de açúcar) transformou-se numa “Meca” para cineastas do mundo todo. Personagens ilustres do cinema internacional, como Francis Ford Coppola, Robert Redford, Costa Gavras, George Lucas, Fernando Solanas, Ruy Guerra, Alex Cox, Gabriele Salvatores, Steven Spielberg entre muitos outros, fazem questão de visitar a escola, ministrar cursos de graça, e até apresentar seus trabalhos inéditos no auditório da EICTV para serem discutidos, como manda a tradição, por toda a comunidade da escola que inclui alunos, professores e trabalhadores (do chefe da cozinha, passando pelo jardineiro até o responsável do posto médico).

Ser aluno da EICTV é um privilegio pelo qual todo ano centos de candidatos concorrem no mundo todo. Na lista de graduados da escola, ha jovens de países tão distantes quanto Suécia, Vietnam, India, Ghana, Burkina Faso e Japão. Só no Brasil, o ano passado quase 200 jovens apresentaram-se no vestibular para tentar ganhar uma das seis vagas disponíveis para brasileiros.

Tanta concorrência esta justificada. No fim das contas, em que outra escola do mundo um estudante de cinema teria o privilegio de comer um prato de massa preparado pessoalmente por Francis Ford Coppola na cozinha da Escola?

 

  • A EICTV ganhou durante o Festival de Cannes de 1993 o Prêmio Rossellini, um dos mais altos reconhecimentos da comunidade cinematográfica internacional, jamais outorgado antes a uma escola de cinema.

Texto originalmente publicado por Patricia Martin em 2006
 
 

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