Coletivo de alunos da periferia lança campanha colaborativa para estudar cinema em Cuba

coletivo Maré

O grupo terá o desafio de arrecadar o valor de 100 mil reais em 45 dias

A entrada na Escola Popular de Comunicação Crítica (ESPOCC), projeto da OSCIP Observatório de Favelas, na Maré, foi um marco para a criação de um coletivo de oito estudantes que tem em comum o sonho de viver do cinema e aprofundar seus conhecimentos estudando em Cuba. Os estudantes, que são oriundos de diferentes locais da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, não se conheciam até que foram unidos pelo curso de Publicidade Afirmativa com ênfase em Audiovisual. A formatura do curso será em maio de 2016 e o objetivo é que a viagem aconteça logo após o término das aulas, para complementar a formação técnica e teórica do grupo.

Assim como os membros do coletivo, muito jovens brasileiros buscam fazer viagens de intercâmbio para se aperfeiçoar em outros idiomas, para cursar mestrado, doutorado, residências artísticas, dentre outras opções. Em 2014, segundo a Associação do Setor de Empresas de Intercâmbio, mais de 230 mil jovens estudaram no exterior por meio dessa modalidade. Pensando em como este tipo de oportunidade enriqueceria o currículo, os estudantes do Observatório de Favelas resolveram ir a luta e tentar o próprio financiamento de seus estudos.

A instituição escolhida pelo grupo foi a conceituada Escuela Internacional de Cine y Televisión (EICTV). O curso pretendido é o de produção de cinema de baixo orçamento, com aulas intensivas divididas em duas semanas. O investimento do projeto é alto e atualmente a EICTV não oferece bolsa de estudos. Apesar disso, o coletivo está confiante no sucesso da campanha de arrecadação pela internet. Um desafio de 45 dias para arrecadar a soma de R$100 mil reais em uma plataforma colaborativa online que concentra a captação de doações.

A estratégia do grupo também vai contar com encontros corpo a corpo na Maré e com eventos em outras comunidades. Como contrapartida ao financiamento coletivo, os estudantes pretendem produzir um documentário em Cuba e ministrar oficinas de audiovisual para moradores de favelas, para compartilhar com jovens periféricos o conhecimento que for adquirido em Cuba.

Sobre o projeto

Criado pela jornalista Tati Alvarenga, o projeto inicial foi idealizado para levar dezesseis jovens majoritariamente periféricos para estudar cinema em Cuba. Para fazer o sonho virar realidade, o grupo enviou um projeto de financiamento para o edital de intercâmbio lançado pelo Ministério da Cultura em 2015, que tinha o objetivo de subsidiar projetos educacionais, encontros, eventos ou residências ligadas à classe artística através de viagens nacionais e internacionais. O projeto inscrito pelos estudantes concorria ao valor máximo oferecido pelo edital: a soma de R$60 mil. A ideia do grupo era arrecadar o restante necessário para os custos por meio da atual campanha de arrecadação coletiva que está sendo divulgada na internet.

Para não desistir de estudar em uma das maiores escolas de cinema do mundo, o grupo virou um coletivo – atualmente com oito integrantes – para montar uma campanha de arrecadação coletiva do valor atual de R$100 mil. A tarefa certamente será um desafio tendo em vista a situação de crise no país, mas os “Cubanxs” (nome apelidado para o coletivo, pela jornalista criadora do projeto) não vão desistir de conquistar seu sonho. Por isso, o grupo reforça a importância da colaboração de cada doador para o sucesso da campanha.

Sobre os integrantes

Andressa Venâncio dos Santos, 17 anos, é fotógrafa e estudante de audiovisual. Já foi colaboradora do portal Viva Favela e atualmente colabora como mobilizadora da Juventude do Caju, na Zona Norte do Rio de Janeiro, onde mora. Atualmente é estagiária de publicidade na Diálogos, a agência-escola do Observatório de Favelas.

Eleomar Nepomuceno, 36 anos, é músico, capoeirista, percussionista, poeta, escritor, ogã, professor, palestrante e estudante das questões étnico-raciais e culturais do povo negro no mundo. Também é militante dos direitos humanos e da questão racial. Considera-se indignado com as injustiças.

Fabrício Meilhac, 22 anos, nasceu no Rio de Janeiro e mora na favela Boogie Woogie, na Ilha do Governador. Cineasta, fotógrafo e escritor, dirigiu, escreveu e produziu os curta- metragens “Treinamento Ambiental” e “Hortênsia Azul”. É ativista em prol do meio ambiente e luta pela expansão cultural. Estudante por paixão, procura sempre aprender mais sobre o mundo cinematográfico, tendo o sonho de ir à Cuba para somar seu repertório.

Henrique Faerman, 26 anos, gaúcho, jornalista e repórter. Em 2013, fundou a Revista Fôlego e em 2015 roteirizou e produziu o documentário média-metragem “Arte na (Lou)Cura”. Tem grande interesse por cinema, música e literatura antiga. É fã de futebol, esportes radicais e de ver e estar em contato com a natureza preservada. No jornalismo, suas preferências estão no caráter investigativo, de imersão e literário. Também gostaria de atuar com a produção audiovisual de documentários e pesquisa etnográfica.

Igor Lima Costa, 22 anos é estudante de audiovisual e de teatro. Atualmente trabalha com projetos de comédia de humor crítico e está se especializando nas áreas de roteiro, atuação, produção e fotografia. Já atuou em uma websérie de ficção científica, entre outros trabalhos no YouTube. Como ator e produtor, pretende potencializar o humor como ferramenta de combate à desigualdade social e às diversas opressões sofridas na periferia.
Marina Freire, 23 anos é administradora e estudante de audiovisual. É integrante do projeto “Poder Popular e Campesinato: Memoria, Arte e Resistência” que propõe registrar experiências de gestão participativa e popular a partir da linguagem audiovisual. Durante dois anos, atuou como colaboradora em um projeto de economia solidária e cooperativismo, tema que ainda desenvolve pesquisa hoje. Desde 2015, atua como colaboradora na gestão de projetos sociais e culturais de periferia.

Raquel Tavares, 24 anos, é estudante de jornalismo e audiovisual. Enxerga nas mídias comunitárias e alternativas uma nova via para a democratização da comunicação. Em 2015, escreveu, produziu e dirigiu o curta-metragem “Luzes Constantes”. Além disso, integrou um grupo de pesquisa sobre comunicação comunitária, tema que segue pesquisando. Também vê no cinema uma poderosa ferramenta de transformação social. Atualmente está produzindo um documentário sobre o protagonismo feminino na fotografia popular.

Tati Alvarenga, 32 anos, é atriz, produtora, jornalista e cineasta. Já apresentou e produziu o programa República pela TV Win entre 2013 e 2014. Estudou na Escola de Cinema Darcy Ribeiro entre agosto de 2014 e fevereiro de 2015, no curso Avançado de Realização Cinematográfica, ensino que dispertou a paixão pela escrita de roteiro e direção na jornalista. Ativista em prol dos direitos humanos, integra o jornal comunitário O Cidadão, primeira mídia deste seguimento a surgir na Maré. Pretende seguir a carreira de atriz e diretora. Vê na arte uma forte aliada na luta por direitos e na conscientização social como forma de propagar críticas e de levar mensagem de esperança ao mundo. É criadora do projeto Cuba e apelidou seus colegas de Cubanxs!.

Links úteis:
Campanha no Kickante: http://www.kickante.com.br/campanhas/projeto-cuba

Email: partiucuba@gmail.com

Site: http://projetocuba.sitey.me/

Facebook: Projeto-Cuba

Instagram: PartiuCuba

Twitter: ProjetoCuba_RJ

YouTube: Projeto Cuba

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Author: Patricia Martin

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